POEMA AGRESTE

1 de junho de 2012 in Poesia

Gosto da poesia

quando vem do nada.

Não é aquela coisa buscada,

programada, estudada…

Gosto da poesia,

como uma flor qualquer,

uma flor do mato,

uma mal me quer…

Gosto da poesia

quando ELA me procura…

Pra você, poder ser loucura,

mas para mim, não é.

A. J. Cardiais

A. J. Cardiais

Avatar of A. J. Cardiais

facebooktwittergoogle plus

A. J. Cardiais é o pseudônimo de Antonio Jorge Dantas de Lima, nascido em Salvador - Bahia, no dia 31 de março de 1954. Quando pequeno fazia quadrinhas para brincadeiras de roda, sem saber que eram poesias. Aos 11 anos já escrevia historinhas e ficava mostrando para os colegas de sala. Quando adolescente fez músicas para clubes de futebol amador e algumas composições ingênuas (do tipo da Jovem Guarda). Apesar de ter queimado vários textos, escritos até 1980, ele só considera sua fase poética a partir de 25 de outubro de 1981, quando participou do evento "Nossos Momentos e Poesias". A partir deste momento ele começou a integrar grupos ligados à literatura: Movimento Poético da Bahia, Cooperativa de Poetas e Escritores, Academia Castro Alves de Letras, Clube da Cultura, Galeria 13... e muitos outros. Tem poemas editados em: Vozes de Aço ao Sol (coletânea 1985), Coletânea Literária do Servidor Público – 1990, Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos números: 79, 80, 81, 82, 83 – CBJE, no Panorama Literário Brasileiro 2011/2012 – CBJE e nas coletâneas do Beco dos Poetas e Escritores: Palavras que Falam - Palavras que Calam e À Deriva, ambos de 2012. É colaborador dos sites: Recanto das Letras, O Melhor da Web, Poetas Teimosos, Beco dos Poetas e Escritores, Pequenos Grandes Poetas, Angola Xyami, Poetas Del Mundo, Portal do Poeta Brasileiro, Poema Luso, Poema Latino, Texton, Texto Livre e muitos outros.


SABERES

1 de junho de 2012 in Poesia

Já procurei muito

saber das coisas

que eu não sabia…

Hoje

eu não sei mais

porquê procurá-las.

Então fico esperando

que o que eu não sei

dê as caras.

A.J. Cardiais

A. J. Cardiais

Avatar of A. J. Cardiais

facebooktwittergoogle plus

A. J. Cardiais é o pseudônimo de Antonio Jorge Dantas de Lima, nascido em Salvador - Bahia, no dia 31 de março de 1954. Quando pequeno fazia quadrinhas para brincadeiras de roda, sem saber que eram poesias. Aos 11 anos já escrevia historinhas e ficava mostrando para os colegas de sala. Quando adolescente fez músicas para clubes de futebol amador e algumas composições ingênuas (do tipo da Jovem Guarda). Apesar de ter queimado vários textos, escritos até 1980, ele só considera sua fase poética a partir de 25 de outubro de 1981, quando participou do evento "Nossos Momentos e Poesias". A partir deste momento ele começou a integrar grupos ligados à literatura: Movimento Poético da Bahia, Cooperativa de Poetas e Escritores, Academia Castro Alves de Letras, Clube da Cultura, Galeria 13... e muitos outros. Tem poemas editados em: Vozes de Aço ao Sol (coletânea 1985), Coletânea Literária do Servidor Público – 1990, Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos números: 79, 80, 81, 82, 83 – CBJE, no Panorama Literário Brasileiro 2011/2012 – CBJE e nas coletâneas do Beco dos Poetas e Escritores: Palavras que Falam - Palavras que Calam e À Deriva, ambos de 2012. É colaborador dos sites: Recanto das Letras, O Melhor da Web, Poetas Teimosos, Beco dos Poetas e Escritores, Pequenos Grandes Poetas, Angola Xyami, Poetas Del Mundo, Portal do Poeta Brasileiro, Poema Luso, Poema Latino, Texton, Texto Livre e muitos outros.


PALAVRAS SÃO ESTRADAS

1 de junho de 2012 in Poesia

Escrever é como
construir estradas
pavimentadas.

As letras são as pedras
que, juntas,
formarão as palavras.

As palavras
formam as estradas,
que podem nos levar
a algum lugar
ou a lugar nenhum.

Fica dependendo
da intenção
do construtor.


A.J. Cardiais

A. J. Cardiais

Avatar of A. J. Cardiais

facebooktwittergoogle plus

A. J. Cardiais é o pseudônimo de Antonio Jorge Dantas de Lima, nascido em Salvador - Bahia, no dia 31 de março de 1954. Quando pequeno fazia quadrinhas para brincadeiras de roda, sem saber que eram poesias. Aos 11 anos já escrevia historinhas e ficava mostrando para os colegas de sala. Quando adolescente fez músicas para clubes de futebol amador e algumas composições ingênuas (do tipo da Jovem Guarda). Apesar de ter queimado vários textos, escritos até 1980, ele só considera sua fase poética a partir de 25 de outubro de 1981, quando participou do evento "Nossos Momentos e Poesias". A partir deste momento ele começou a integrar grupos ligados à literatura: Movimento Poético da Bahia, Cooperativa de Poetas e Escritores, Academia Castro Alves de Letras, Clube da Cultura, Galeria 13... e muitos outros. Tem poemas editados em: Vozes de Aço ao Sol (coletânea 1985), Coletânea Literária do Servidor Público – 1990, Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos números: 79, 80, 81, 82, 83 – CBJE, no Panorama Literário Brasileiro 2011/2012 – CBJE e nas coletâneas do Beco dos Poetas e Escritores: Palavras que Falam - Palavras que Calam e À Deriva, ambos de 2012. É colaborador dos sites: Recanto das Letras, O Melhor da Web, Poetas Teimosos, Beco dos Poetas e Escritores, Pequenos Grandes Poetas, Angola Xyami, Poetas Del Mundo, Portal do Poeta Brasileiro, Poema Luso, Poema Latino, Texton, Texto Livre e muitos outros.


TÍTULO DE POETA

1 de junho de 2012 in Poesia

Juro que não faço questão
de ostentar o título de poeta
se ser poeta for somente
esta exibição vazia…

Tenho, na poesia,
uma língua afiada.
Não corta, não fura, nem nada.
Mas fere, quando denuncia.

Não aguento ver meus irmãos
de barriga vazia
e os hipócritas no poder…

Isso me causa furor.
Por isso costumo dizer:
Poesia, não é só falar de amor.

A.J. Cardiais

A. J. Cardiais

Avatar of A. J. Cardiais

facebooktwittergoogle plus

A. J. Cardiais é o pseudônimo de Antonio Jorge Dantas de Lima, nascido em Salvador - Bahia, no dia 31 de março de 1954. Quando pequeno fazia quadrinhas para brincadeiras de roda, sem saber que eram poesias. Aos 11 anos já escrevia historinhas e ficava mostrando para os colegas de sala. Quando adolescente fez músicas para clubes de futebol amador e algumas composições ingênuas (do tipo da Jovem Guarda). Apesar de ter queimado vários textos, escritos até 1980, ele só considera sua fase poética a partir de 25 de outubro de 1981, quando participou do evento "Nossos Momentos e Poesias". A partir deste momento ele começou a integrar grupos ligados à literatura: Movimento Poético da Bahia, Cooperativa de Poetas e Escritores, Academia Castro Alves de Letras, Clube da Cultura, Galeria 13... e muitos outros. Tem poemas editados em: Vozes de Aço ao Sol (coletânea 1985), Coletânea Literária do Servidor Público – 1990, Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos números: 79, 80, 81, 82, 83 – CBJE, no Panorama Literário Brasileiro 2011/2012 – CBJE e nas coletâneas do Beco dos Poetas e Escritores: Palavras que Falam - Palavras que Calam e À Deriva, ambos de 2012. É colaborador dos sites: Recanto das Letras, O Melhor da Web, Poetas Teimosos, Beco dos Poetas e Escritores, Pequenos Grandes Poetas, Angola Xyami, Poetas Del Mundo, Portal do Poeta Brasileiro, Poema Luso, Poema Latino, Texton, Texto Livre e muitos outros.


Avatar of Edson

by Edson

Cura

31 de maio de 2012 in Geral, Poesia

Nessa vida,você nada me deve
Não te emprestei o meu amor
Eu te dei para não ser breve
E mergulhei fundo na sua dor

Sabe que também doía em mim
Ter esse sentimento guardado
Uma falta eu tinha de carmim
E de um olhar vivo, apaixonado

Ha, que alegria, dividirmos a dor
Com o amor que cura a nos mesmo
E a alma vibrando ao nosso louvor

Então não carece me agradecer
Porque a felicidade, esse momento
Vem da alma, do nosso sentimento

Edson

Avatar of Edson

Edson bento da silva lima nascido aos 22 de setembro de 1979 na cidade de betim, minas gerais, 32 anos. Quero levar ao mundo Um pouco de sabedoria E resgatar la no fundo Um gosto pela poesia Quero ser uma referência Quem sabe um dia Os novatos poetas Ou ate pessoas analfabetas Lembram a minha existência?


Avatar of Marcio

by Marcio

O Pequeno e o Grande Pianista

31 de maio de 2012 in Conto, Geral

Meu pai figurava entre os pianistas mais respeitados de nossa cidade, foram muitos os concertos que executara no Teatro Municipal, quando o convidaram à dirigir o conservatório da cidade, não pensou mais de uma vez, abandonou a promissora carreira de pianista , para  dedicar-se exclusivamente ao ensino da música. Dizia que formar um músico, era muito mais importante do que exibir-se em consertos, o entristecia ver platéias que não sentiam a  mesma paixão pela música, comum aos músicos, ele acreditava que ninguém que ama a música verdadeiramente, seria capaz de viver sem fazer parte dela.

Quando eu nasci, papai já não se apresentava mais em concertos, apesar dos inúmeros convites que recebia; mas sempre indicava um de seus alunos para substituí-lo, o que nunca permitiu que os convites parassem de chegar; todos os seus alunos sempre eram muito prestigiados; os amantes da música buscavam o estilo do mestre e sempre o encontravam; era como se a música de papai se multiplicasse por todos os seus alunos, enchendo-o de orgulho e prazer.

Papai trabalhou durante vinte e cinco anos no conservatório e o mais curioso,  apesar de eu e meus dois irmãos nos formarmos músicos , nunca conseguimos estudar com papai; o grupo que estudava diretamente com ele era muito seleto e só os mais talentosos conseguiam vaga.

Papai era leal à música e não favorecia ninguém, inclusive os próprios filhos; papai se orgulhava em dizer que todos os seus alunos foram admitidos por mérito próprios e sem qualquer tipo de favorecimento; quem os escolhia era a própria música.

Papai vivia e respirava música, sempre dizia que, sem a música, sua vida não teria sentido… Algumas palavras não deveriam ser pronunciadas… Algum anjo brincalhão pode não gostar e dizer um amém…

Papai foi deitar-se às duas horas da manhã, como fazia todas as noites; limpou o piano, que ficava na sala e não era permitido que ninguém sequer tirasse a poeira, o que seria difícil encontrar, já que papai o limpava todas as noites, antes de separar as partituras que os alunos estudariam no dia seguinte.

Pela manhã, papai não se levantou, permaneceu deitado na cama com a cabeça coberta, o que muito estranhamos…Desde o tempo em que mamãe era viva que papai não perdia a hora de ir para o conservatório…

Maria, a nossa empregada, foi até o quarto, preocupada;papai andava reclamando , há dias, de dores no peito e achando que estava fumando muito; não se preocupou, apenas diminuiu o cigarro.

O grito de socorro, que Maria soltou, foi o suficiente para nos dizer que algo estava errado, mas não podíamos imaginar que seria tão grave… Quando Maria entrou no quarto, papai já tinha descoberto o rosto e ela o viu horrorizada…papai babava e, com os olhos vidrados, tremia convulsionando…era derrame… Levamos papai às pressas para o hospital, mais um pouco e papai não sobreviveria, disse-nos o médico; foi um tempo de dor e sofrimento e papai não conseguiu escapar das seqüelas…

Ficou com o lado esquerdo totalmente paralisado; não mexia os dedos da mão e não conseguia firmar os pé, a boca ficou torta e babava bastante; o pianista já não existia mais…a depressão que se abateu dobre papai foi tão intensa, que para alimentá-lo tínhamos que utilizar sonda,, ele não queria mais comer e nem viver…

Nós o colocávamos na sala e ele ficava olhando o piano com os olhos molhados pelas lágrimas.

Papai tinha um corpo avantajado; seu peso era perto de noventa e cinco quilos e em menos de seis meses chegou a setenta e cinco quilos…

O médico nos aconselhou a contratarmos uma enfermeira para cuidar de papai, e nos sugeriu uma amiga sua que saíra do hospital há pouco tempo.

Thalita era enfermeira há sete anos; tinha um filho de quatro anos, o marido a abandonara e, quando a convidamos para cuidar de papai em tempo integral, pareceu reticente.

Apesar de precisar muito do emprego, temia pelo filho Daniel, a quem carinhosamente chamava de Dani; disse que não tinha com quem deixá-lo e não se tranqüilizou nem quanto nós dissemos que não teria problemas se ela trouxesse consigo; ela disse que ele era um garoto especial…

Eu pensei que era uma forma carinhosa pela qual Thalita tratava ao filho; não imaginei que ele sofresse de Síndrome de Down.

Dani era um menino calmo e tímido, não falava com ninguém, além da mãe…bastava colocá-lo diante da televisão, que ele ficava o dia inteiro assistindo; se ninguém oferecesse comida ou água, ele ficava o dia inteiro com fome e sede…sem dizer uma palavra; o único problema era que ele começava a gritar pela mãe quando queria ir so banheiro,mas as empregadas da casa foram orientadas a levá-lo ao banheiro, assim que ouvissem os gritos , de forma que papai, nem os escutava na maioria das vezes.

Já fazia oito meses que papai saíra do hospital e já começava a mostrar os primeiros sinais de melhora.

Com algum esforço, ela já conseguia dar algumas voltas pelo quintal, amparado por uma bengala; a babá já não mais o incomodava; já a depressão era ainda a sua única companheira…papai perdera a alegria de viver…a música era a sua vida…; os movimentos da mão não conseguira melhorá-los em nada; apesar dos exercícios de fisioterapia, parecia que nunca mais voltaria a tocar…; essa idéia a o martirizava ,e a dispensa do conservatório municipal fora mo golpe final ; estava acabado…

Papai se fechava cada dia mais , a amargura o estava transformando em uma pessoa dura e de difícil convivência ; as lembranças de uma infância alegre e divertida pouco a pouco foram sendo apagadas pelas constantes brigas , que a impaciência de papai provocava ; ninguém percebeu quando pouco a pouco os filhos foram diminuindo as visitas a papai , inclusive eu…

Não deixávamos faltar-lhe nada e cuidávamos de todos os seus interesses financeiros, mas bastava nos encontrarmos para terminar o encontro em discussão; era muito triste ver o homem amargo em que papai se transformara.

As únicas pessoas com que papai não brigava eram Thalita e Dani; até Maria nossa empregada, que trabalhava a dezoito anos em nossa casa pedira as contas.

Thalita teria que levar alguns exames até o medico particular de papai e pediu que dona Ana, a nova empregada , cuidasse de Dani que , dentro de no máximo meia hora ela estaria de volta.

Dani ficava sentado diante da televisão por horas, sem que prestasse a atenção a mais nada; talvez ele tenha visto alguém tocando piano na televisão e , vendo o piano na sala , resolveu imitar a cena da televisão, ou simplesmente foi movido pela curiosidade ; ninguém jamais saberá o que o guiou até o piano de papai .

O som chegou até a varanda ; papai dormia sentado em uma cadeira de balanço ; inicialmente pensou que o tempo retrocedera e estava de volta ao conservatório; mexeu os dedos da mão direita , mas os da mão esquerda ainda não tinham movimento… a dor da verdade foi substituída pela raiva.

Quem ousaria mexer no seu piano?Seria sumariamente demitido e , levantando-se com dificuldade , foi até a sala e surpreso viu Dani martelando as teclas com os dedos .

—Você não sabe tocar, menino… E não deve mexer no meu piano.Cadê a sua mãe?

Dani olhou papai , com aquele olhar que as crianças desmancham o coração dos adultos e com um sorriso disse apenas :

—Me ensina a tocar ?

Os olhos de papai se encheram de lagrimas e a bengala caiu…acho que foi nesse momento que papai renasceu!

—Eu não posso filho…

—Pode sim, é fácil… e, pegando a mão de papai, Dani colocava-a no teclado tirando um som…Viu, é fácil!

—Não é assim tão fácil…e, pegando as mãos de Dani, as colocou nas teclas e ensinou-lhe a primeira nota…; Papai falava animado e com segurança, não era mais nem sombra do homem amargurado que fora há minutos atrás.

Quando Thalita chegou do consultório do médico, ouviu risos na sala e se perguntou qual dos netos do patrão estava em casa e preocupou-se com o humor do patrão, que ultimamente detestava barulho.

A surpresa ao ver o filho sentado ao piano sorrindo e o patrão incentivando-o demorou para abandoná-la e, aproximou-se, levou a primeira repreensão do patrão:

—Dona Thalita, não vê que eu estou dando aulas ao meu aluno? Vá cuidar do seu serviço e não nos incomode! A voz orgulhosa do pianista voltara e Thalita foi telefonar ao médico do patrão:

—Doutor…é Thalita…o senhor tinha razão, o patrão só precisava de um motivo para continuar vivendo…sim eu acho que ele o achou…

Os meses de fisioterapia não fizeram tanto efeito como as teclas do piano,; os dedos de papai começaram a responder e, com a fisioterapia, em um ano já conseguia tocar algumas canções ao lado de seu aluno favorito.

Os dois tornaram-se companheiros inseparáveis; quando não estavam estudando piano, estavam assistindo à televisão; papai parou com o mal-humor e já podíamos conversar como nos velhos tempos; aos poucos a vida foi voltando ao normal, papai chegou a ser até convidado a voltar ao conservatório, mas recusou; o seu aluno favorito, como chamava Dani, ocupava todo o seu tempo.

Dani era um garoto especial e as suas dificuldades eram um empecilho para o aprendizado; ele decorava a posição das notas, mas no dia seguinte tinha só algumas lembranças do que aprendera; a persistência de papai e a amizade que nascera entre eles eram o que não permitia que as aulas acabassem, para alegria de Thalita, que via ao seu filho pela primeira vez feliz, e ao lado de alguém que era muito próximo de um pai…

Era muito comum encontrar papai, Dani e Thalita no quintal jogando bola ou na piscina tomando sol…

Aos poucos, papai foi se afastando novamente de nós, e desta vez não ficamos preocupados ou magoados; talvez um pouco enciumados…;papai passava mais tempo com Dani e Thalita do que conosco; eles estavam viajando, iam à praia, ao campo, ao exterior e não foi nenhuma surpresa quando anunciou em um jantar com toda a família que iria se casar com Thalita.

Acho que no fundo todos já esperávamos por isso…

A igreja estava lindamente decorada, com vários tipos de flores, toda a família estava reunida, os amigos de papai pareciam nem se lembrar que, seis anos antes, papai parecia um farrapo humano.

Mas eu me lembrava muito bem e, aproveitando que estava na igreja, agradeci a Deus por Dani ter surgido em, nossas vidas…Ele realmente era um garoto muito especial…e com os olhos procurei por ele, sem o encontrar…

A marcha nupcial começou a tocar e a noiva entrou na igreja, com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso no rosto; o padre começou os ritos matrimoniais e, após o sim dos noivos, a marcha nupcial recomeçou; era tocada com maestria e emocionava, papai estava chorando e Thalita também; os dois olhavam para o alto, de frente para os convidados…

Segui os seus olhares e vi que, no segundo pavimento, meu irmãozinho Dani ao piano tocava a marcha nupcial; os convidados me vendo olhando emocionado seguiram também meu olhar e, ao reconhecerem Dani, as palmas começaram saudando o pianista e ao seu mestre que, vestido de noivo, beijava a noiva.

Naquele momento descobri o quanto Dani era especial, não pela síndrome de Down, mas sim por trazer a alegria de volta a tantas pessoas… Apenas por existir!

Marcio

Avatar of Marcio

facebooktwittergoogle plus


Avatar of hssns

by hssns

BECO DOS POETAS

29 de maio de 2012 in Acróstico, Geral

BECO DOS POETAS
 
Basta de silêncio!
Em mim não há mais medo
Como antes havia
O eu de ontem não existe mais
 
Do silêncio de outrora
Onde apenas me calava
Sei agora o que e como falar
 
Pois aqui encontrei o meu lugar
Onde outros como eu
Enfim tem onde dizer tudo o que pensamos
Tanto quanto queremos
Agora saiba além
Seja você também: BECO DOS POETAS
 

hssns

Avatar of hssns

facebook

Desde muito cedo me atrai pela ideia de criar novos mundos, novas vidas, novas possibilidades. Na adolescência comecei a rascunhar textos e a realizar minhas primeiras leituras. Como muitos, vi nas palavras um novo mundo, um refugio, um outro lar. Como autor participei das seguintes obras I Antologia Beco dos Poetas/ II Antologia Beco dos Poetas/ Coletânia Especial II & III Antologia Beco dos Poetas/ 1ª Seletiva Becos dos Poetas/ todas pelo grupo Editorial Beco dos Poetas e Escritores Ltda. Atuo como diagramador, divulgador e organizador das antologias Beco dos Poetas. Sou o idealizador e organizador da antologia Folhas em Branco.


Avatar of Edson

by Edson

Apego ou Partida

29 de maio de 2012 in Geral, Poesia

Sinto outra vez suas batidas
São compassadas, apaixonadas
Da alma, é onde são nascidas
As batidas timidas, de baladas

Só você pode me dizer ao certo
O que há nesse meu sentimento
Se é amor, ou nada, um deserto
Para poder evitar um sofrimento

Se eu pudesse ouvir claramente
Essa música que insiste em tocar
Eu saberia a quem me entregar

Mas sei meu coração, não é facil
Te entender, acertar nessa vida
O que é melhor, apego ou partida

Edson

Avatar of Edson

Edson bento da silva lima nascido aos 22 de setembro de 1979 na cidade de betim, minas gerais, 32 anos. Quero levar ao mundo Um pouco de sabedoria E resgatar la no fundo Um gosto pela poesia Quero ser uma referência Quem sabe um dia Os novatos poetas Ou ate pessoas analfabetas Lembram a minha existência?


Quando Morri

29 de maio de 2012 in Geral, Poesia

 

 

No dia em que morri
Ninguém me visitou
Ninguém viu o que sofri
Tampouco o que restou
Ninguém me fez sorrir
Nem me levou uma flor
Queria me despedi
O tempo não esperou
Por quase desisti
O corpo não deixou
E eu tive que partir
Carente e sem amor
E agora estou aqui
Sem saber pr’onde vou
Perdido e infeliz
Não sei onde estou
Só sei que por um triz
Meu mundo acabou

BetoAcioli

Avatar of Beto Acioli


PÁSSAROS X HUMANOS

28 de maio de 2012 in Geral, Mensagem de Otimismo, Poesia

Pássaros no viveiro

Anseiam por liberdade

Por certo tempo

depois se acostumam

a voar no pequeno

espaço de 2×2

apenas vêem a vida

 através dos lados

mas dentro do peito

e de suas mentes

alcançam o infinito

apesar de presos

porque  a liberdade

os pertence…

Assim somos nós

humanos

Quando nos aprisionamos

Em mágoas

Acorrentamos-nos a alma

Deixando nos fracos

E sem ânimos de viver

É preciso sair do alçapão

Da vida e dar asas para

A imaginação,

Para sermos livres

e sorrir  novamente.

 

Maria Jeremias dos Santos

mjs

Avatar of Maria Jeremias dos Santos dos Santos